Avaliação de escrita por ditado em alunos do ensino fundamental I

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18222/eae.v36.11683

Palavras-chave:

Avaliação, Escrita, Ditado, Ensino Fundamental

Resumo

Este estudo avaliou o potencial de uma tarefa de ditado para medir a escrita de alunos do 2º ao 5º ano do ensino fundamental I. O ditado (10 palavras e 1 sentença) foi aplicado em sala de aula, pelas professoras, e 356 alunos responderam individualmente. Os acertos em respostas escritas aumentaram significativamente do 2º ao 5º ano, mostrando-se sistematicamente maiores para palavras isoladas (médias por ano: 21,4%, 45,6%, 63,5% e 84,0%) do que para a sentença (médias: 5,7%, 26,9%, 47,8% e 73,6%), mas a diferença tendeu a diminuir nos últimos anos. Os resultados permitiram caracterizar a escrita dos alunos da escola e identificar alunos com dificuldades severas. A tarefa mostrou-se útil para avaliar a escrita de forma rápida, coletiva e com baixo custo.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Letícia Rinolfi Pereira, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Carlos-SP, Brasil

Graduada em Psicologia pela UFSCar e mestranda em Psicologia na mesma instituição, na linha de Análise Comportamental da Cognição. Possui interesse em aquisição de repertórios verbais (leitura, escrita, correspondência fazer-dizer, vocabulário em segunda língua) e comportamento simbólico.

Ana Luísa Galharde Tarifa, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Carlos-SP, Brasil

Graduada em Psicologia pela UFSCar e mestranda em Psicologia na mesma instituição, na linha de análise comportamental da cognição. Desenvolve pesquisas na área de comportamento verbal.

Ramon Marin, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Carlos-SP, Brasil

Formado em Psicologia pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), possui mestrado e doutorado em Psicologia pela UFSCar e é pesquisador de pós-doutorado no Departamento de Psicologia da mesma universidade.

Letícia Regina Fava, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Carlos-SP, Brasil

Graduada em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp). Mestre pela Unesp e doutora pela UFSCar em Psicologia. Realizou pós-doutorado em Psicologia na UFSCar. Desenvolve pesquisas com ênfase em análise do comportamento, relações de equivalência, programação de ensino e aquisição da linguagem.

Livia Polastri Piai, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Carlos-SP, Brasil

Graduada em Psicologia pela UFSCar e mestranda em Psicologia na mesma instituição. Desenvolveu pesquisas na área de violência contra a mulher e atualmente o faz com a perspectiva da análise do discurso.

Helena de Freitas, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Carlos-SP, Brasil

Graduanda em Psicologia na UFSCar e pesquisadora na área de prevenção e intervenção à violência infantojuvenil.

Emily Lazarini, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Carlos-SP, Brasil

Graduanda do curso bacharelado de Psicologia na UFSCar. Possui interesse acadêmico em análise do comportamento, psicologia social e políticas públicas.

Pedro Furtado, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Carlos-SP, Brasil

Graduado em psicologia pela UFSCar. Desenvolveu pesquisas na área de consistência de relato verbal para diferentes audiências. Atualmente trabalha em atendimento a crianças com transtorno do espectro autista (TEA).

Deisy das Graças de Souza, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Carlos-SP, Brasil

Professora titular da UFSCar, docente do Programa de Pós-Graduação em Psicologia e do Programa de Pós-Graduação em Educação Especial. Realiza investigações nas áreas de psicologia e de educação especial, com interesse em aprendizagem relacional, comportamento simbólico, aquisição de leitura e escrita, análise e programação de condições de ensino.

Referências

American Educational Research Association (AERA), American Psychological Association (APA), & National Council on Measurement in Education (NCME). (2014). Standards for educational and psychological testing. Aera; APA; NCME.

Amorim, A. N., Jeon, L., Abel, Y., Albuquerque, E. X. da S., Silva, V. C. da, Silva, M. H. da, Santos, L. L., & Martins, C. G. (2020). Evolução da habilidade de escrita dos estudantes na educação infantil. Revista da Escola, Professor, Educação e Tecnologia, 2, 1-13.

Andrade, P. E., Andrade, O. V. C. dos A., & Prado, P. S. T. do. (2017). Psicogênese da língua escrita: Uma análise necessária. Cadernos de Pesquisa, 47(166), 1416-1439. https://doi.org/10.1590/198053144361

Brasolotto, A. G., de Rose, J. C., Stoddard, L. T., & de Souza, D. G. (1993). Stimulus control analysis of language disorders: A study of substitution between voiced and unvoiced consonants. The Analysis of Verbal Behavior, 11, 31-42. https://doi.org/10.1007/BF03392885

Capellini, S. A., & Conrado, T. L. B. C. (2009). Desempenho de escolares com e sem dificuldades de aprendizagem de ensino particular em habilidade fonológica, nomeação rápida, leitura e escrita. Revista CEFAC, 11(suppl. 2), 183-193. https://doi.org/10.1590/S151618462009005000002

Capovilla, A. G. S., Capovilla, F. C., & Soares, J. V. T. (2004). Consciência sintática no ensino fundamental: Correlações com consciência fonológica, vocabulário, leitura e escrita. Psico-USF, 9(1), 39-47. https://doi.org/10.1590/S1413-82712004000100006

Capovilla, A. G. S., Joly, M. C. R. A., Ferracini, F., Caparrotti, N. B., Carvalho, M. R. de, & Raad, A. J. (2004). Estratégias de leitura e desempenho em escrita no início da alfabetização. Psicologia Escolar e Educacional, 8(2), 189-197. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-85572004000200007

Cardoso-Martins, C. (2013). Existe um estágio silábico no desenvolvimento de escrita em português? Evidência de três estudos longitudinais. In M. R. Maluf, & C. Cardoso-Martins (Eds.), Alfabetização no século XXI: Como se aprende a ler e a escrever (pp. 82-108). Penso.

Cardoso-Martins, C., Corrêa, M. F., Lemos, L. S., & Napoleão, R. F. (2006). Is there a syllabic stage in spelling development? Evidence from Portuguese-speaking children. Journal of Educational Psychology, 98(3), 628-641. https://doi.org/10.1037/0022-0663.98.3.628

Carvalhais, L., Limpo, T., & Pereira, L. A. (2021). The contribution of word-, sentence-, and discourse-level abilities on writing performance: A 3-year longitudinal study. Frontiers in Psychology, 12, Article e668139. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2021.668139

Carvalho, K. S. de. (2020). Alfabetização e letramento: De como se aprende a como se ensina. Revista da ABRALIN, 19(2), 1-5. https://doi.org/10.25189/rabralin.v19i2.1664

Catania, A. C. (1999). Aprendizagem: Comportamento, linguagem e cognição (4ª ed.). Artmed.

Cia, F., & Barham, E. J. (2009). Repertório de habilidades sociais, problemas de comportamento, autoconceito e desempenho acadêmico de crianças no início da escolarização. Estudos de Psicologia (Campinas), 26(1), 45-55. https://doi.org/10.1590/S0103-166X2009000100005

de Rose, J. C. (2005). Análise comportamental da aprendizagem de leitura e escrita. Revista Brasileira de Análise do Comportamento, 1(1), 29-50. http://dx.doi.org/10.18542/rebac.v1i1.676

de Souza, D. G., de Rose, J. C., & Hanna, E. S. (1996). Diagnóstico de leitura e escrita (DLE): Tarefas para avaliação de pré-requisitos [Material para uso em pesquisa, não publicado, descrito na dissertação de mestrado de Monica Lucia Fonseca defendida em 1997 no Programa de Pós-graduação em Educação Especial da UFSCar].

de Souza, D. G., de Rose, J. C., Hanna, E. S., Calcagno, S., & Galvão, O. D. F. (2004). Análise comportamental da aprendizagem de leitura e escrita e a construção de um currículo suplementar. In M. M. C. Hübner, & M. Marinotti (Orgs.), Análise do comportamento para a educação: Contribuições recentes (pp. 177-203). ESETec.

Downing, S. M. (2004). Reliability: On the reproducibility of assessment data. Medical Education, 38(9), 1006-1012. https://doi.org/10.1111/j.1365-2929.2004.01932.x

Ehri, L. C. (1992). Reconceptualizing the development of sight word reading and its relationship to recoding. In P. Gough, I. Ehri, & R. Treiman (Eds.), Reading acquisition (pp. 107-143). Erlbaum.

Ehri, L. C. (2005). Learning to read words: Theory, findings and issues. Scientific Studies of Reading, 9(2), 167-188. https://doi.org/10.1207/s1532799xssr0902_4

Ferreiro, E., & Teberosky, Y. A. (1986). Psicogênese da língua escrita. Artmed.

Haim, L., & Ravid, D. (2022). The language of school writing: A developmental comparison of genres across the school years. Stem-, Spraak- en Taalpathologie, 27, 93-134. https://doi.org/10.21827/32.8310/2022-SG-93

Hanna, E. S., & Melo, R. M. (1999). Desenvolvimento infantil e alfabetização. In M. G. T. da Paz, & A. Tamayo (Orgs.), Escola, saúde e trabalho: Estudos psicológicos (pp. 71-118). Editora UnB.

Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). (2017). Sistema de Avaliação da Educação Básica: Avaliação Nacional de Alfabetização – Edição 2016. Inep. http://portal.mec.gov.br/docman/outubro-2017-pdf/75181-resultados-ana-2016-pdf/file

Judai, M. A., Quintilio, M. S. V., & Lima, A. C. O. (2013). Correlação entre fases de alfabetização segundo abordagem construtivista e idades de escolares iniciais. Colloquium Humanarum, 10(2), 36-45. https://doi.org/10.5747/ch.2013.v10.n2.h141

Kagan, S. L. (2011). Qualidade na educação infantil: Revisão de um estudo brasileiro e recomendações. Cadernos de Pesquisa, 41(142), 56-67. https://doi.org/10.1590/S010015742011000100004

Kibble, J. D. (2017). Best practices in summative assessment. Advances in Physiology Education, 41(1), 110-119. https://doi.org/10.1152/advan.00116.2016

Lee, V. L., & Pegler, A. M. (1982). Effects on spelling of training children to read. Journal of the Experimental Analysis of Behavior, 37, 311-322. https://doi.org/10.1901/jeab.1982.37-311

Lei n. 13.005, de 25 de junho de 2014. (2014). Aprova o Plano Nacional de Educação – PNE e dá outras providências. Brasília, DF. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l13005.htm

Levin, J., & Fox, J. A. (2004). Estatística para Ciências Humanas. Pearson.

Meireles, E. de S., & Correa, J. (2005). Regras contextuais e morfossintáticas na aquisição da ortografia da língua portuguesa por criança. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 21(1), 77-84. https://doi.org/10.1590/S0102-37722005000100011

Mota, H. B., Melo Filha, M. das G. de C., & Lasch, S. S. (2007). A consciência fonológica e o desempenho na escrita sob ditado de crianças com desvio fonológico após realização de terapia fonoaudiológica. Revista CEFAC, 9(4), 477-482. https://doi.org/10.1590/s151618462007000400007

Patto, M. H. S. (1990). A produção do fracasso escolar: Histórias de submissão e rebeldia. Instituto de Psicologia da USP. https://doi.org/10.11606/9786587596334

Paula, M. de. (2022). As práticas de sondagem sob a ótica de E. Ferreiro e A. Teberosky presente na obra Psicogênese da Língua Portuguesa [Trabalho de conclusão de curso, Universidade Federal de São Carlos]. Repositório Institucional da UFSCar. https://repositorio.ufscar.br/handle/ufscar/15894

Piccoli, L., & Camini, P. (2012). Práticas pedagógicas em alfabetização: Espaço, tempo e corporeidade. Edelbra.

Pinheiro, Â. M. V., & Rothe-Neves, R. (2001). Avaliação cognitiva de leitura e escrita: As tarefas de leitura em voz alta e ditado. Psicologia: Reflexão e Crítica, 14(2), 399-408. https://doi.org/10.1590/S0102-79722001000200014

Polese, N. C. (2012). Aprendizagem infantil através do construtivismo: Ensinar e aprender. Revista Espaço Acadêmico, 12(134), 89-96. https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/14484

Queiroga, B. A. M. de, Lins, M. B., & Pereira, M. de A. L. V. (2006). Conhecimento morfossintático e ortografia em crianças do ensino fundamental. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 22(1), 95-100. https://doi.org/10.1590/S0102-37722006000100012

Reis, T. de S., de Souza, D. G., & de Rose, J. C. (2009). Avaliação de um programa para o ensino de leitura e escrita. Estudos em Avaliação Educacional, 20(44), 425-452. https://doi.org/10.18222/eae204420092038

Ribeiro, S. C. (1991). Pedagogia da repetência. Estudos Avançados, 5(12), 7-21. https://doi.org/10.1590/S0103-40141991000200002

Ribeiro, S. C. (1993). A educação e a inserção do Brasil na modernidade. Cadernos de Pesquisa, (84), 63-82. https://publicacoes.fcc.org.br/cp/article/view/963

Santamaria, V. L., Leitão, P. B., & Assencio-Ferreira, V. J. (2004). A consciência fonológica no processo de alfabetização. Revista CEFAC, 6(3), 237-241.

Skinner, B. F. (1957). Verbal behavior. Prentice Hall.

Soares, M. (2003). A reinvenção da alfabetização. Presença Pedagógica, 9(52), 15-21. https://ria.ufrn.br/jspui/handle/1/122

Soares, M. (2004). Letramento e alfabetização: As muitas facetas. Revista Brasileira de Educação, (25), 5-17. https://doi.org/10.1590/s1413-24782004000100002

Soares, M. (2016). Alfabetização: A questão dos métodos. Contexto.

Soares, M., & Batista, A. A. G. (2005). Alfabetização e letramento: Caderno do professor. Ceale; FaE; UFMG. https://orientaeducacao.files.wordpress.com/2017/02/col-alf-let-01-alfabetizacao_letramento.pdf

Stanovich, K. E. (2009). Matthew effects in reading: Some consequences of individual differences in the acquisition of literacy. Journal of Education, 189(1-2), 23-55. https://doi.org/10.1177/0022057409189001-204

Stein, L. M., Giacomoni, C. H., & Fonseca, R. P. (2019). Teste de desempenho escolar: Livro de instruções (Vol. 2). Vetor.

Weisz, T. (2016). A aprendizagem do sistema de escrita: Questões teóricas e didáticas. Veras, 6(1), 11-20. https://site.veracruz.edu.br/instituto/revistaveras/index.php/veras/article/view/216

Zanini, D. S., Reppold, C. T., Muniz, M., Noronha, A. P. P., & Rueda, F. J. M. (2021). Por que regulamentar o uso e acesso aos testes psicológicos? Avaliação Psicológica, 20(3), 390-399. http://dx.doi.org/10.15689/ap.2021.2003.22437.13

Downloads

Publicado

19-12-2025

Como Citar

Pereira, L. R., Tarifa, A. L. G., Marin, R., Fava, L. R., Piai, L. P., Freitas, H. de, Lazarini, E., Furtado, P., & de Souza, D. das G. (2025). Avaliação de escrita por ditado em alunos do ensino fundamental I. Estudos Em Avaliação Educacional, 36, e11683. https://doi.org/10.18222/eae.v36.11683

Edição

Seção

Artigos