Heterogeneidade do impacto do trabalho infantil no rendimento escolar do Paraná

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18222/eae.v31i78.7705

Palavras-chave:

Trabalho Infantil , Heterogeneidade , Rendimento Escolar , Avaliação do Desempenho

Resumo

Neste estudo, estimou-se o impacto do trabalho infantil sobre o desempenho escolar em discentes do ensino fundamental público no estado do Paraná, avaliando a existência da heterogeneidade na magnitude do impacto. Para tanto, foram utilizados dados da Prova Brasil de 2007 a 2015, considerando os discentes da 5ª e 9ª séries. O impacto foi mensurado com o método Propensity Score Matching (PSM). Os resultados mostram que não houve mudanças temporais significativas nos níveis de trabalho infantil no estado nos anos avaliados, embora haja uma leve tendência de redução. Discentes que trabalham em casa e no mercado tendem a ter um pior desempenho acadêmico. Tal efeito negativo é menor em algumas mesorregiões, evidenciando que há heterogeneidade nesse impacto.

Biografia do Autor

Carlos Alberto Ramos Torres, Universidade Federal do Paraná (UFPR), Curitiba-PR, Brasil

Economista - UNILA. Programa de pós-graduação em Políticas Públicas - UFPR.

Marcos de Oliveira Garcias, Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), Foz do Iguaçu-PR, Brasil

Doutor e Mestre em Economia Aplicada pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ-USP). Professor do Programa de Pós-graduação em Economia (PPGE) da Universidade Federal da Integração Latino Americana (UNILA).

Referências

ADMASSIE, A. Child labour and schooling in the context of a subsistence rural economy: can they be compatible? International Journal of Educational Development, v. 23, n. 2, p. 167-185, 2003. https://doi.org/10.1016/S0738-0593(02)00012-3.

AKABAYASHI, H.; PSACHAROPOULOS, G. The trade-off between child labour and human capital formation: A Tanzanian case study. Journal of Development Studies, v. 35, n. 5, p. 120–140, 1999. https://doi.org/10.1080/00220389908422594.

ALBERTO, M.; SANTOS, D.; LEITE, F.; LIMA, J.; PAIXÃO, G.; SILVA, S. Trabalho infantil doméstico: perfil bio-sócio-econômico e configuração da atividade no município de João Pessoa, PB. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, São Paulo, v. 12, n. 1, p. 57-73, 2009. https://doi.org/10.11606/issn.1981-0490.v12i1p57-73.

ALVI, E.; DENDIR, S. Sibling differences in school attendance and child labour in Ethiopia. Oxford Development Studies, Oxford, v. 39, n. 3, p. 285-313, 2011. https://doi.org/10.1080/13600818.2011.598923.

AMBADEKAR, N.; WAHAB, S.; ZODPEY, S.; KHANDAIT, D. Effect of child labour on growth of children. Public Health, v. 113, n. 6, p. 303-306, 1999. https://doi.org/10.1016/S0033-3506(99)00185-7.

ARANSIOLA, T. J.; JUSTUS, M. Child labor hazard on mental health: Evidence from Brazil. Journal of Mental Health Policy and Economics, v. 21, n. 2, p. 49-58, 2018.

DE BARROS, R. P.; MENDONÇA, R. S. P. Trabalho infantil no Brasil: rumo à erradicação. Sinais Sociais, Rio de Janeiro, v. 5, n. 17, p. 142-173, set./dez. 2010.

BASU, K. The intriguing relation between adult minimum wage and child labour. Economic Journal, v. 110, n. 462, p. 50-61, 2000. https://doi.org/10.1111/1468-0297.00520.

BASU, K.; TZANNATOS, Z. The Global Child Labor Problem: What do we know and what can we do? The World Bank Economic Review, Oxford, v. 17, n. 2, p. 143-173, May 2003.

BEEGLE, K.; DEHEJIA, R.; GATTI, R.; KRUTIKOVA, S. The consequences of child labor: evidence from longitudinal data in rural Tanzania. Washington: The World Bank, 2008.

BEZERRA, M.; KASSOUF, A. L.; ARENDS-KUENNING, M. The impact of child labor and school quality on academic achievement in Brazil. Document 4062. Bonn: The Institute for the Study of Labor (IZA), 2009.

BLAGBROUGH, J. Child domestic labour: A modern form of slavery. Children & Society, v. 22, n. 3, p. 179–190, 2008. https://doi.org/10.1111/j.1099-0860.2008.00149.x.

BOURDILLON, M. Children as domestic employees: problems and promises. Journal of Children and Poverty, v. 15, n. 1, p. 1-18, 2009. https://doi.org/10.1080/10796120802677586.

BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Prova Brasil 2007. Brasília: MEC/Inep, 2007.

BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Prova Brasil 2009. Brasília: MEC/Inep, 2009.

BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Prova Brasil 2011. Brasília: MEC/Inep, 2011.

BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Prova Brasil 2013. Brasília: MEC/Inep, 2013.

BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Prova Brasil 2015. Brasília: MEC/Inep, 2015.

CALIENDO, M.; KOPEINIG, S. Some practical guidance for the implementation of propensity score matching. Journal of Economic Surveys, v. 22, n. 1, p. 31-72, 2008. https://doi.org/10.1111/j.1467-6419.2007.00527.x.

CANALS-CERDÁ, J.; RIDAO-CANO, C. The dynamics of school and work in rural Bangladesh. Washington: The World Bank, 2004.

DEHEJIA, R.; WAHBA, S. Causal effects in nonexperimental studies: reevaluating the evaluation of training programs. Journal of the American Statistical Association, v. 94, n. 448, p. 1053-1062, 1999. https://doi.org/10.1080/01621459.1999.10473858.

DELPRATO, M.; AKYEAMPONG, K. The effect of working on students’ learning in Latin America: evidence from the learning survey TERCE. International Journal of Educational Development, v. 70, p. 102086, 2019. https://doi.org/10.1016/j.ijedudev.2019.102086.

DUMAS, C. Does work impede child learning? The case of Senegal. Economic Development and Cultural Change, Chicago, v. 60, n. 4, p. 773-793, 2012. https://doi.org/10.1086/665603.

EMERSON, P.; PONCZEK, V.; SOUZA, A. Child labor and learning. Economic Development and Cultural Change, Chicago, v. 65, n. 2, p. 265-296, 2017. https://doi.org/10.1086/688895.

FORS, H. Child labour: a review of recent theory and evidence with policy implications. Journal of Economic Surveys, v. 26, n. 4, p. 570-593, 2012. https://doi.org/10.1111/j.1467-6419.2010.00663.x.

FRASCO-ZUKER, L. Investigación etnográfica sobre experiencias de trabajo infantil en el noreste argentino. Revista Latinoamericana de Ciencias Sociales, Niñez y Juventud, v. 14, n. 2, p. 1205-1216, 2016.

FRENCH, J. L. Adolescent workers in third world export industries: attitudes of young Brazilian shoemakers. ILR Review, v. 55, n. 2, p. 308-323, 2002. https://doi.org/10.1177/001979390205500206.

GALLI, R. The economic impact of child labour. Genebra: ILO Decent Work Research Programme, 2001. 26 p.

GAMLIN, J.; CAMACHO, A.; ONG, M.; HESKETH, T. Is domestic work a worst form of child labour? The findings of a six-country study of the psychosocial effects of child domestic work. Children’s Geographies, v. 13, n. 2, p. 212-225, 2015. https://doi.org/10.1080/14733285.2013.829660.

GLEWWE, P.; MURALIDHARAN, K. Improving education outcomes in developing countries. Handbook of the Economics of Education, v. 5, p. 653–743, 2016. https://doi.org/10.1016/B978-0-444-63459-7.00010-5.

GREENE, W. Econometric analysis. 5. ed. New Jersey: Prentice Hall, 2003.

GUNNARSSON, V.; ORAZEM, P.; SÁNCHEZ, M. Child labor and school achievement in Latin America. The World Bank Economic Review, Oxford, v. 20, n. 1, p. 31-54, 2006. https://doi.org/10.1093/wber/lhj003.

HAILE, G.; HAILE, B. Child labour and child schooling in rural Ethiopia: nature and trade-off. Education Economics, v. 20, n. 4, p. 365-385, 2012. https://doi.org/10.1080/09645292.2011.623376.

HANUSHEK, E. Economic growth in developing countries: The role of human capital. Economics of Education Review, v. 37, p. 204-212, Dec. 2013. https://doi.org/10.1016/j.econedurev.2013.04.005.

HEADY, C. The effect of child labor on learning achievement. World Development, v. 31, n. 2, p. 385-398, 2003. https://doi.org/10.1016/S0305-750X(02)00186-9.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Divisão regional do Brasil em regiões geográficas imediatas e regiões geográficas intermediárias: 2017. Rio de Janeiro: IBGE, 2017. 82 p.

INSTITUTO PARANAENSE DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL – IPARDES. Mapa do trabalho infanto-juvenil no Paraná. Curitiba: Ipardes, 2007.

KASSOUF, A. L. O que conhecemos sobre o trabalho infantil? Nova economia, Belo Horizonte, v. 17, n. 2, p. 323-350, maio/ago. 2007.

KASSOUF, A. L. Evolução do trabalho infantil no Brasil. Sinais Sociais, Rio de Janeiro, v. 9, n. 27, p. 9-45, 2015.

KASSOUF, A. L.; SANTOS, M. J. Trabalho infantil no meio rural brasileiro: evidências sobre o “paradoxo da riqueza”. Economia Aplicada, v. 14, n. 3, p. 339-353, 2010.

KASSOUF, A. L.; TIBERTI, L.; GARCIAS, M. Evidence of the impact of children’s household chores and market labour on learning from School Census data in Brazil. Journal of Development Studies, v. 56, n. 11, p. 2097-2112, 2020. https://doi.org/10.1080/00220388.2020.1736284.

KASSOUF, A. L.; TIBERTI, L.; GARCIAS, M.; ONO, I. Evidence of the impact of children’s domestic and market labor on learning from School Census data in Brazil. SSRN Electronic Journal, p. 1-34, 2016. https://doi.org/10.2139/ssrn.3164357.

KLOCKER, N. Negotiating change: working with children and their employers to transform child domestic work in Iringa, Tanzania. Children’s Geographies, v. 9, n. 2, p. 205-220, 2011. https://doi.org/10.1080/14733285.2011.562381.

LOPES, J.; SOUZA, E.; PONTILI, R. Trabalho infantil e sua influência sobre a renda e a escolaridade da população trabalhadora do Paraná. In: SEMINÁRIO DO TRABALHO: TRABALHO, ECONOMIA E EDUCAÇÃO NO SÉCULO XXI, 6., 2008, São Paulo. Anais [...]. Marília: Editora Gráfica Massoni, 2008.

MAFFIOLI, A. Non-experimental methods: Propensity score matching and difference in difference. Cuernavaca: Inter-American Development Bank, 2011.

MERCAN, M.; SEZER, S. The effect of education expenditure on economic growth: The case of Turkey. Procedia – Social and Behavioral Sciences, v. 109, p. 925-930, 2014. https://doi.org/10.1016/j.sbspro.2013.12.565.

MOTA, M. A luta pela erradicação do trabalho infantil no Brasil, enfoque no Paraná: 1992-2001. 2003. 44 f. Monografia (Especialização em Economia do Trabalho) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2003.

NAVARRO, M.; DE SOUZA, S.; EVARINI, A. Crianças trabalhadoras e as condições de sua inserção no mercado de trabalho no Paraná. Economia & Região, Londrina, PR, v. 1, n. 1, p. 48-68, 2013.

ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO – OIT. Convenção n. 138, de 1973 – Convenção sobre a idade mínima para admissão. Genebra: OIT, 1973. Disponível em: https://www.ilo.org/brasilia/convencoes/WCMS_235872/lang--pt/index.htm. Acesso em: dez. 2020.

ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO – OIT. Convenção n. 182 – Convenção sobre proibição das piores formas de trabalho infantil e ação imediata para sua eliminação. Genebra: OIT, 1999. Disponível em: https://www.ilo.org/brasilia/convencoes/WCMS_236696/lang--pt/index.htm. Acesso em: dez. 2020.

ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO – OIT. Medir o progresso na luta contra o trabalho infantil. Estimativas e tendências mundiais 2000-2012. Bureau Internacional do Trabalho; Programa Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil (IPEC). Genebra: OIT, 2013.

ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO – OIT. Invertir en todos los niños. Estudio económico de los costos y beneficios de erradicar el trabajo infantil. Lima: OIT, 2015.

ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO – OIT. Trabalho infantil: fatos e números no Brasil. 2016. Disponível em: https://www.ilo.org/brasilia/temas/trabalho-infantil/lang--pt/index.htm. Acesso em: dez. 2020.

PARANÁ. Secretaria da Família e de Desenvolvimento Social –SEDES. Caracterização do trabalho infantil no Paraná. Curitiba: Governo do Estado do Paraná, 2017. 52 p.

PATRINOS, H.; PSACHAROPOULOS, G. Family size, schooling and child labor in Peru: an empirical analysis. Journal of Population Economics, v. 10, n. 4, p. 387-405, 1997. https://doi.org/10.1007/s001480050050.

PUTNICK, D.; BORNSTEIN, M. Is child labor a barrier to school enrollment in low- and middle-income countries? International Journal of Educational Development, v. 41, p. 112-120, 2015. https://doi.org/10.1016/j.ijedudev.2015.02.001.

RAVALLION, M.; WODON, Q. Does child labour displace schooling? Evidence on behavioural responses to an enrollment subsidy. Economic Journal, v. 110, n. 462, p. 158-175, 2000. https://doi.org/10.1111/1468-0297.00527.

ROSSMAN, M. Involving children in household tasks: is it worth the effort?. ResearchWorks, v. 21, p.1-2, 2002.

SALVADOR, P. Trabalho Infantil, um mal necessário? Uma análise com dados do SAEB. Revista ESPACIOS, Caracas, v. 37, n. 13, 2016.

SOUZA, E. Do perfil ao comportamento do trabalho infantil na região Sul do Brasil pós-implementação de medidas institucionais de combate. 2018. 257 f. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Regional e Agronegócio) – Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Toledo, 2018.

STINEBRICKNER, R.; STINEBRICKNER, T. R. Working during school and academic performance. Journal of Labor Economics, Chicago, v. 21, n. 2, p. 473-491, 2003. https://doi.org/10.1086/345565.

Downloads

Publicado

18-03-2021

Edição

Seção

Artigos