Convivência escolar e neofascismo: Apontamentos para prevenir os ataques às escolas
DOI:
https://doi.org/10.1590/1980531411359Palavras-chave:
Violência, Convívio Escolar, Decolonização, Gestão DemocráticaResumo
Ataques armados em escolas cresceram vertiginosamente nos últimos dois anos no Brasil. Vitimaram sobretudo mulheres e pessoas negras e foram cometidos, em sua maioria, por alunos ou ex-alunos que relatam ressentimentos vinculados ao convívio escolar. Muitos, ainda, foram cooptados por grupos extremistas no meio on-line. O artigo busca sustentar a vinculação entre o fenômeno e as violências estruturantes do país, a partir do feminismo decolonial, com objetivo de formular ações de prevenção. Considerou-se, após discussão teórica e pesquisa em relatórios, que tais ações perpassam a promoção da gestão democrática, bem como transformações no processo de escolarização, com base em epistemes que concebam a diversidade de saberes e a emancipação social e que confrontem os privilégios do sujeito universal.
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