(As)simetrias de género: sucessos e barreiras em discursos profissionais

Autores

Palavras-chave:

Relações de género, Diferença de sexo, Sucesso, Desigualdade social

Resumo

As escolhas profissionais e oportunidades de vida são influenciadas pelo género criando expectativas sociais distintas. O mesmo acontece frente às visões de sucesso, reforçando assimetrias sociais e profissionais entre mulheres e homens. Para compreender como as conceções de género se traduzem nas perceções de sucesso profissional, conduzimos nove entrevistas a residentes e trabalhadoras/es em Portugal. Os discursos extraídos por análise temática organizam-se em três temas interligados pelo conceito de assimetrias de género. Conclui-se que as práticas discursivas veiculam inflexibilidade nas construções do género que penalizam o desenvolvimento da carreira da mulher pela sobrecarga das responsabilidades domésticas e pela desvalorização da feminilidade em percursos profissionais.

Biografia do Autor

Carla Alexandra F. da Silva, Universidade do Porto (U.Porto), Porto, Portugal

Mestre em Psicologia

Gil Machado, Universidade do Porto (U.Porto), Porto, Portugal

Mestre em Psicologia

Sara Isabel Magalhães, Universidade do Porto (U.Porto), Porto, Portugal

Doutora em Psicologia da Educação. Investigadora do Centro de Psicologia da Universidade do Porto.

Referências

Abele, A. E., & Spurk, D. (2009). The longitudinal impact of self-efficacy and career goals on objetive and subjective success. Journal of Vocational Behavior, 74, 53-62. https://doi.org/10.1016/j.jvb.2008.10.005

Amâncio, L. (2003). O género no discurso das ciências sociais. Análise Social, 38(168), 687-714.

Amâncio, L. (2017). Assimetria simbólica: Breve história de um conceito. In J. M. Oliveira, & L. Amâncio (Orgs.), Género e sexualidades: Interseções e tangentes (pp. 17-36). Centro de Investigação e de Intervenção Social (CIS IUL). https://gensexinter.tumblr.com/

Arthur, M. B., Khapova, S. N., & Wilderom, C. P. M. (2005). Career success in a boundaryless career world. Journal of Organizational Behavior, 26, 177-202. https://doi.org/10.1002/job.290

Bandura, A. (1986). Social foundations of thought and action: A social cognitive theory. Prentice Hall.

Bandura, A. (2006). Toward a psychology of human agency. Perspectives on Psychological Science, 1, 164-180. https://doi.org/10.1111/j.1745-6916.2006.00011.x

Barberá, E. H. (2004). Perspectiva socio-cognitiva: Estereótipos y esquemas de género. In E. Barberá, & I. M. Benlloch (Coords.), Psicología y género (pp. 55-80). Pearson Educación, S. A.

Braun, V., & Clarke, V. (2006). Using thematic analysis in psychology. Qualitative Research in Psychology, 3, 77-101. http://dx.doi.org/10.1191/1478088706qp063oa

Braun, V., & Clarke, V. (2013). Successful qualitative research: A practical guide for beginners. Sage.

Burr, V. (1995). An introduction to social constructionism. Routledge.

César, F., Oliveira, A., & Fontaine, A. (2018). Modelos sociais de maternidade difundidos em páginas e grupos do Facebook em Portugal. Análise Psicológica, 36(1), 47-59. http://dx.doi.org/10.14417/ap.1333

Coimbra, S., & Fontaine, A. M. (2010). Será que sou capaz?: Estudo diferencial de auto-eficácia com alunos do nono ano. Revista Brasileira de Orientação Profissional, 11(1), 5-22.

Cornelius, N., & Skinner, D. (2008). The careers of senior men and women – A capabilities theory perspective. British Journal of Management, 19, 141-149. https://doi.org/10.1111/j.1467-8551.2008.00579.x

Costa, A., & Faria, L. (2015). The impact of emotional intelligence on academic achievement: A longitudinal study in Portuguese. Learning and Individual Differences, 37, 38-47. https://doi.org/10.1016/j.lindif.2014.11.011

Costa, L. V. (2010). A relação entre a percepção de sucesso na carreira e o comprometimento organizacional: Um estudo entre professores de universidades privadas selecionadas da Grande São Paulo [Tese de doutorado]. Faculdade de Administração, Economia e Contabilidade, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil.

Delgado, A., Saletti-Cuesta L., López-Fernández, L. A., Toro-Cárdenas, S., & Castillo L. J. D. (2014). Professional success and gender in family medicine: Design of scales and examination of gender differences in subjective and objective success among family physicians. Evaluation & Health Professions, 39(1), 87-99. https://doi.org/10.1177/0163278714543686

Dyke, L. S., & Murphy, S. A. (2006). How we define success: A qualitative study of what matters most to women and men. Sex Roles, 55, 357-371.

Eagly, H., & Crowley, M. (1986). Gender and helping behavior: A meta-analytic review of social psychology literature. Psychological Bulletin, 100, 283-308. https://doi.org/10.1037/0033-2909.100.3.283

Eagly, H., & Karau, S. J. (2002). Role congruity theory of prejudice toward female leaders. Psychological Review, 109(3), 573-598. https://doi.org/10.1037/0033-295X.109.3.573

Emslie, C., & Hunt, K. (2009). "Live to work" or "work to live"? A qualitative study of gender and work-life balance among men and women in mid-life. Gender, Work and Organization, 16(1), 151-172. https://doi.org/10.1111/j.1468-0432.2008.00434.x

Ferreira, S. I., Saavedra, L., Taveira, M. C., & Araújo, A. M. (2013). Escolhas e planeamento de carreira: A tirania dos discursos tradicionais. Revista Brasileira de Orientação Profissional, 14(2), 165-175.

Figueiredo, M. C., & Botelho, M. C. (2013). Decomposition of the gender wage gap in Portugal, 1998-2007: The evidence of gender discrimination. Portuguese Journal of Social Science, 12(3), 287-315. https://doi.org/10.1386/pjss.12.3.287_1

Fontanella, B. J., Ricas, J., & Turato, E. R. (2008). Amostragem por saturação em pesquisas qualitativas em saúde: Contribuições teóricas. Cadernos de Saúde Pública, 24(1), 17-27. https://doi.org/10.1590/S0102-311X2008000100003

França, T. (2012). Women and labor market: Work family conflict and career self-management. Revista Pensamento & Realidade, 27(4), 51-70.

García-Retamero, R., & López-Zafra, E. (2006). Congruencia de rol de género y liderazgo: El papel de las atribuciones causales sobre el éxito y el fracasso. Revista Latinoamericana de Psicología, 38(2), 245-257.

Gaunt, R. (2013). Breadwinning moms, caregiving dads: Double standard in social judgments of gender norm violators. Journal of Family Issues, 24(1) 3-24. https://doi.org/10.1177/0192513X12438686

Heilman, M. E., & Eagly, A. H. (2008). Gender stereotypes are alive, well, and busy producing workplace discrimination. Industrial and Organizational Psychology, 1, 393-398. https://doi.org/10.1111/j.1754-9434.2008.00072.x

Hernández, O. M. (2006). Adolescentes y representaciones de género sobre la familia y sus membros en Ciudad Victoria Tamaulipas. Revista Internacional de Ciencias Sociales y Humanidades, 16(2), 9-30.

Judge, T. A., Cable, D. M., Boudreau, J. W., & Bretz Jr, R. D. (1995). An empirical investigation of the predictors of executive career success. Personnel Psychology, 48(3), 485-519. https://doi.

org/10.1111/j.17446570.1995.tb01767.x

Lee, M. D., Lirio, P., Karakas, F., MacDermid, S. M., Buck, M. L., & Kossek, E. E. (2006). Exploring career and personal outcomes and the meaning of career success among part-time professionals in organizations. In R. J. Burke (Ed.), Research companion to work hours and work addiction (pp. 284-309). Edward Elgar.

Lent, R. W., & Brown, S. D. (1996). Social cognitive approach to career development: An overview. The Career Development Quarterly, 44, 310-321. https://doi.org/10.1002/j.2161-0045.1996.tb00448.x

Lent, R. W., & Brown, S. D. (2013). Social cognitive model of career self-management: Toward a unifying view of adaptive career behavior across the life span. Journal of Counseling Psychology, 60(4), 557-568. https://doi.org/10.1037/a0033446

Lent, R. W., Brown, S. D., & Hackett, G. (1994). Toward a unifying social cognitive theory of career and academic interest, choice, and performance [Monograph]. Journal of Vocational Behavior, 45, 79-122. https://doi.org/10.1006/jvbe.1994.1027

Lent, R. W., Brown, S. D., & Hackett, G. (2000). Contextual supports and barriers to career choice: A social cognitive analysis. Journal of Counseling Psychology, 47(1), 36-49. https://doi.org/10.1037/0022-0167.47.1.36

Lorber, J. (1994). "Night to his day": The social construction of gender. In J. Lorber (Ed.), Paradoxes or gender (pp. 13-36). Yale University Press.

Machado, P., Veríssimo, M., Torres, N., Peceguina, I., Santos, A. J., & Rolão, T. (2008). Relações entre o conhecimento das emoções, as competências académicas, as competências sociais e a aceitação entre pares. Análise Psicológica, 26(3), 463-478.

Magalhães, S. I. (2011). Como ser uma Ragazza. Discursos de sexualidade numa revista para raparigas adolescentes [Tese de doutorado em Psicologia]. Escola de Psicologia da Universidade do Minho, Braga, Portugal.

Matias, M., Andrade, C., & Fontaine, A. M. (2011). Diferenças de género no conflito trabalho-família: Um estudo com famílias portuguesas de duplo-emprego com filhos em idade pré-escolar. Psicologia, 25(1), 9-32.

Nentwich, J. C. (2008). New fathers and mothers as gender troublemakers? Exploring discursive constructions of heterosexual parenthood and their subversive potential. Feminism & Psychology, 18(2), 207-230. https://doi.org/10.1177/0959353507088591

Ngo, H. Y., Foley, S., Ji, M. S., & Loi, R. (2014). Linking gender role orientation to subjective career success: The mediating role of psychological capital. Journal of Career Assessment, 22(2), 290-303. https://doi.org/10.1177/1069072713493984

Nogueira, C. (2003). “Ter” ou “ fazer” o género: O dilema das opções epistemológicas em psicologia social. Comunicação apresentada no XII Encontro Nacional da ABRAPSO sobre estratégias de intervenção – a Psicologia social, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil.

Nogueira, C. (2004). As mulheres em posição de poder: Razões para uma cidadania activa. A Comuna: Feminismo e Marxismo, 4, 16-23.

Nogueira, C. (2006). Os discursos das mulheres em posições de poder. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, 9(2), 57-72.

Nogueira, C., Neves, S., & Barbosa, C. (2005). Fundamentos construcionistas sociais e críticos para o estudo do género. Psicologia: Teoria, Investigação e Prática, 2, 1-15.

Nogueira, C., & Saavedra, L. (2007). Estereótipos de género: Conhecer para os transformar. Cadernos SACAUSEF, 3, 10-30.

Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE). (2017). The pursuit of gender equality: An uphill battle. OECD Publishing. http://dx.doi.org/10.1787/9789264281318-en

Perista, H. (2002). Género e trabalho não pago: Os tempos das mulheres e os tempos dos homens. Análise Social, 37(163), 447-474.

Ramaci, T., Pellerone, M., Ledda, C., Presti, G., Squatrito, V., & Rapisarda, V. (2017). Gender stereotypes in occupational choice: A cross-sectional study on a group of Italian adolescents. Psychology Research and Behavior Management, 10, 109-117. https://doi.org/10.2147/PRBM.S134132

Santos, J. A. (2007). Igualdade de género em alcance: Considerações para o estabelecimento de novas relações sociais. Revista Eletrônica de Ciências Sociais, 1, 113-129. https://periodicos.ufjf.br/index.php/csonline/article/view/17034

Schnurr, S., Zayts, O., Schroeder, A., & Le Coyte-Hopkins, C. (2020). "It's not acceptable for the husband to stay at home": Taking a discourse analytical approach to capture the gendering of work. Gender, Work and Organization, 27, 414-434. https://doi.org/10.1111/gwao.12408

Sturges, J. (2008). All in a day’s work? Carreer self-management and the management of the boundary between work and non-work. Human Resource Management Journal, 18(2), 118-134. https://doi.org/10.1111/j.1748-8583.2007.00054.x

Sunderland, J. (2000). Baby entertainer, bumbling assistant and line manager: Discourses of fatherhood in parentcraft texts. Discourse & Society, 11(2), 249-74. https://doi.org/10.1177/0957926500011002006

Swanson, J. L., & Woitke, M. B. (1997). Theory into practice in career assessment for women: Assessment and interventions regarding perceived career barriers. Journal of Career Assessment, 5(4), 443-462. https://doi.org/10.1177/106907279700500405

Turner, D. W. (2010). Qualitative interview design: A practical guide for novice investigators. The Qualitative Report, 15(3), 754-760. https://nsuworks.nova.edu/tqr/vol15/iss3/19

West, C., & Zimmerman, D. H. (1987). Doing gender. Gender & Society, 1(2), 125-51.

Willig, C. (2010). Introducing qualitative research in psychology. Tata McGraw-Hill.

Wirth, L. (2001). Breaking through the glass ceiling: Women in management. International Labour Office.

Downloads

Publicado

09-08-2021

Edição

Seção

Educação Superior, Profissões, Trabalho