Corpos em movimento no espaço: narrativas escolares

Alexandra Leandro

Resumo


O modo como as mobilidades e performances espaciais dos alunos são disciplinadas pelos diferentes educadores que habitam a escola permite-nos refletir sobre a relevância do espaço corporeamente produzido na configuração da experiência escolar. Em cada ano, múltiplas fronteiras espaciais são atualizadas em busca de um renovado equilíbrio entre abertura e fechamento, distância e proximidade, com vista à defesa e (re)construção do território dos adultos. A forma como o espaço escolar é distribuído e investido de sentido é um processo incerto e conflituoso, sendo que, no contexto do funcionamento diário de uma escola, a reflexão em torno dessa dimensão territorial leva-nos a olhar para a mobilidade e ocupação espaciais como importantes recursos individuais, grupais e institucionais.


Palavras-chave


Escolas; Corpo; Espaço; Disciplina

Texto completo:

PDF_9

Referências


ABÉLÈS, Marc. Pour une anthropologie des institutions. L’Homme, n. 135, p. 65-85, jul./set. 1995.

ABRANTES, Pedro. Os muros da escola: as distâncias e as transições entre ciclos de ensino. 2008. Tese (Doutorado) – Instituto Universitário de Lisboa, Lisboa, 2008.

ALMEIDA, Miguel Vale de. Corpo presente. Antropologia do corpo e da incorporação. In: ALMEIDA, Miguel Vale de Almeida. Corpo presente: treze reflexões antropológicas sobre o corpo. 1. ed. Oeiras: Celta, 1996. cap. 1, p. 1-22.

AQUINO, Julio Groppa. Da (contra) normatividade do cotidiano escolar: problematizando discursos sobre indisciplina discente. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 37, n. 131, p. 481-510, maio/ago. 2011. Disponível em: . Acesso em: jan. 2016.

BENITO, Agustín Escolano. Tiempos y espacios para la escuela. Madrid: Biblioteca Nueva, 2000.

BURKE, Catherine. Containing the school child: architectures and pedagogies. Paedagogica Historica, v. 41, n. 4-5, p. 489-494, 2005. Disponível em: . Acesso em: jan. 2012.

CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano. Petrópolis: Vozes, 1998.

CRESPO, Jorge. A história do corpo. Lisboa: Difel, 1990.

DELALANDE, Julie. La cour de l’école: un lieu commun remarquable. Recherches familiales, n. 2, p. 25-36, 1/2005. Disponível em: . Acesso em: abr. 2012.

FARNELL, Brenda. Moving bodies, acting selves. Annual Review of Anthropology, v. 28, p. 341-373, 1999. Disponível em: . Acesso em: abr. 2012.

FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1992.

FOUCAULT, Michel. Les mailles du pouvoir. In: DEFERT, Daniel; EWALD, François. Dits et écrits: vol. IV, 1980-1988, texto 297. Paris: Gallimard, 1994a.

FOUCAULT, Michel. Espace, savoir et pouvoir. In: DEFERT, Daniel; EWALD, François. Dits et écrits, vol. IV, 1980-1988, texto 310. Paris: Gallimard, 1994b.

FRAGO, António Viñao. L’espace et le temps scolaires comme objet d’histoire. Histoire de l’éducation, n. 78, p. 89-108, 1998. Disponível em: . Acesso em: abr. 2013.

FRIAS, Aníbal. Une introduction à la ville sensible. Recherches en anthropologie au Portugal: revue annuelle du Groupe Anthropologie du Portugal, n. 7, p. 11-36, 2001.

GUIMARÃES, Áurea M. Novos regimes de ver, ouvir e sentir afetam a vida escolar. Educação, Santa Maria, v. 35, n. 3, p. 413-430, set./dez. 2010. Disponível em: . Acesso em: mar. 2012.

HASTRUP, Kirsten. A passage to anthropology. Between experience and theory. Londres: Routledge, 1995.

GALLO, Luz Elena; MARTINEZ, Leidy Johana. Líneas pedagógicas para una educación corporal. Cadernos de Pesquisa, v. 45, n. 157, p. 612-629, jul./set. 2015. Disponível em: . Acesso em: jan. 2016.

JIMÉNEZ, Alberto Corsín. On space as a capacity. Journal of the Royal Anthropological Institute, v. 9, p. 137-153, 2003. Disponível em: . Acesso em: jan. 2016.

JULIA, Dominique. A cultura escolar como objeto histórico. Revista Brasileira de História da Educação, Maringá, n. 1, p. 9-43, jan./jun, 2001. Disponível em:

php?script=sci_arttext&pid=S1517-97022004000100008&Ing=en& nrm=iso>. Acesso em: abr. 2013.

KIRBY, Peter Wynn. Lost in “space”: an anthropological approach to movement. In: KIRBY, Peter Wynn. Boundless worlds. An anthropological approach to movement. 1. ed. New York: Berghahn Books, 2009. cap. 1, p. 1-28.

LEANDRO, Alexandra. Limites, desordens e mediações: uma etnografia em espaço escolar. 2013. Tese (Doutorado) – Instituto Universitário de Lisboa, Lisboa, 2013. Disponível em: . Acesso em: jan. 2016.

LOPES, João Teixeira. Do politeísmo cultural contemporâneo ao trabalho escolar de eliminação da dissonância. Sociologia: Revista do Departamento de Sociologia da FLUP, Porto, v. 20, p. 281-290, 2010. Disponível em: . Acesso em: jan. 2016.

MALUF, Sônia Weidner. Corpo e corporalidade nas culturas contemporâneas: abordagens antropológicas. Esboços, v. 9, n. 9, p. 87-101, 2001. Disponível em: . Acesso em: fev. 2012.

MAUSS, Marcel. Sociologie et anthropologie. Paris: PUF, 1983.

MELUCCI, Alberto. Juventude, tempo e movimentos sociais. Revista Brasileira de Educação, n. 5-6, p. 6-14, maio/dez. 1997. Disponível em: . Acesso em: abr. 2012.

NÓBREGA, Terezinha Petrucia da. Qual o lugar do corpo na educação? Notas sobre conhecimento, processos cognitivos e currículo. Educação & Sociedade, Campinas, v. 26, n. 91, p. 599-615, maio/ago. 2005. Disponível em: Acesso em: jan. 2016.

NUGENT, David. Governing States. In: NUGENT, David; VINCENT, Joan. A companion to the anthropology of politics. Oxford: Blackwell, 2004. cap. 13, p. 198-215.

PAIS, José Machado. Sociologia da vida quotidiana. Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais, 2002.

PAIS, José Machado. Máscaras, jovens e “escolas do diabo”. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 37, p. 7-21, jan./abr. 2008. Disponível em: . Acesso em: abr. 2012.

PERRENOUD, Philippe. Ofício de aluno e sentido do trabalho escolar. Porto: Porto, 2002.

RATTO, Ana Lúcia Silva. Disciplina, vigilância e pedagogia. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 37, n. 131, p. 481-510, maio/ago. 2007. Disponível em: .Acesso em: jan. 2016.

RECIO, Rosa Vasquez. Reflexiones sobre el tiempo escolar. Revista Iberoamericana de Educación, Madrid, v. 42, n. 6, p. 1-11, maio 2007. Disponível em: . Acesso em: jan. 2012.

RESENDE, José Manuel. A sociedade contra a escola? A socialização política escolar num contexto de incerteza. Lisboa: Instituto Piaget, 2008.

ROUDIL, Nadine. Ordre et désordre au collège. Intégration adolescente et normes scolaires. International Journal on Violence and Schools, n. 2, p. 50-72, dez. 2006. Disponível em: . Acesso em: dez. 2008.

STRAZZACAPPA, Márcia. A educação e a fábrica de corpos: a dança na escola. Cadernos CEDES, Campinas, v. 21, n. 53, p. 69-83, 2001. Disponível em: . Acesso em: jan. 2016.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.