Os “chefes de disciplina”: inventividade infantil na década de 1930

Autores

Palavras-chave:

Arthur Ramos , Cultura Escolar, Rio de Janeiro , Indisciplina , Relação Criança-Adulto

Resumo

O artigo investiga o cotidiano escolar das “creanças problemas” analisadas por Arthur Ramos enquanto diretor do Serviço de Ortofrenia e Higiene Mental (SOHM) do Rio de Janeiro, privilegiando-se o estudo das fichas do Serviço e o arquivo pessoal do médico. Buscou-se examinar as práticas escolares sob a perspectiva dos “pátios de recreios”, aproximando-se de um grupo de crianças que se autointitulavam “chefes de disciplina”, no sentido de, a partir de suas histórias, lidar com a indisciplina enquanto objeto de atuação dos serviços escolares, em específico, o SOHM. Observou-se que a inventividade infantil, por vezes, subverteu as relações estabelecidas entre adultos e crianças, fosse nos espaços escolar, público (como a rua) ou privado (como a casa).

Biografia do Autor

Matheus Henrique da Silveira, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Campinas (SP), Brasil

Graduado em História pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (IFCH/UNICAMP), Mestre em Educação pela Faculdade de Educação da mesma universidade (FE/UNICAMP) e doutorando pelo mesmo Programa. Foi professor de História na rede pública de ensino do Estado de São Paulo, exercendo atualmente a função de Coordenador Pedagógico pela Prefeitura Municipal de Nova Odessa.

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Publicado

10-05-2021

Edição

Seção

Educação Básica, Cultura, Currículo