Construção da fronteira da intimidade: a humilhação e a vergonha na educação moral.

Yves de la Taille, Clarissa Maiorino, Daniela Nogueira Storto, Luciana C. do Prado Velloso Roos

Resumo


O presente artigo busca definir um campo de pesquisa sobre a "fronteira moral da intimidade", na interseção do estudo das condutas humanas a respeito do falar-de-si ou calar-sobre-si com o do juízo moral que regula essas condutas. O texto apóia-se em pesquisa sobre o tema da confissão do delito, uma das formas normatizadas do falar-de-si. Foram feitas entrevistas clínicas com 70 crianças, de 6 a 14 anos, sobre um dilema envolvendo punição em situação escolar. Os dados mostram que, a partir dos 8 anos de idade, a confissão pública polariza os juízos das crianças, que a consideram a punição mais penosa; as opiniões se dividem no que tange à correção moral desta forma de castigo. Discutem-se também decorrências pedagógicas, mostrando que causar vergonha é um efeito inevitável em toda punição, mas que sua prática, através de humilhação explícita ou pública, pode trazer efeitos danosos ao desenvolvimento das crianças menores.

Palavras-chave


Moralidade; Desenvolvimento Moral; Direito; Sanções Disciplinares

Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.