Editoras, repórteres, assessoras e freelancers: diferenças entre as mulheres no jornalismo

Aline Tereza Borghi Leite

Resumo


O artigo analisa o processo de feminização do jornalismo, que se deu de forma articulada aos processos de precarização, banalização, autonomização e profissionalização da carreira. A partir de entrevistas com jornalistas de São Paulo, o artigo examina os eixos de diferenciação que demarcam as localizações das mulheres na carreira, definem sua percepção acerca da diferença e estão expressos em seus discursos. Além de compreender como as hierarquias de gênero se estruturam na profissão de jornalista, o objetivo é analisar as diferenças entre as mulheres, por meio de uma amostra formada por profissionais com filhos e sem filhos, casadas, solteiras, divorciadas, de diferentes gerações, e atuando em diversos tipos de mídia e com distintos vínculos de emprego na cidade de São Paulo.


 

Publishers, reporters, press officers and freelancers: differences

This article analyzes the feminization of journalism in its articulation with the processes of precarization, trivialization, self-employment and professionalization of the career. Based on interviews with journalists from São Paulo as expressed in their discourses, the study examines the axes of differentiation that establish the positions of women and define their perception about such differences. This article aims to both understand how gender hierarchies are structured in the journalism profession and to analyze the differences among women. This is done by means of a sample consisting of professionals with and without children; married, single and divorced; of different generations; acting in various media types; and with different employment relations in the city of São Paulo.

Journalism; Women; Labour; Occupations

 

Éditrices, reporters, attachées de presse et freelancers: différences entre les femmes dans le milieu du journalisme

Cet article analyse le processus de féminisation du journalisme qui s’est produit en parallèle avec les processus de précarisation, banalisation, autonomisation et professionnalisation de cette carrière. A partir d’entretiens avec des journalistes de São Paulo, l’article examine les axes de différenciation qui démarquent les espaces occupés par les femmes dans la profession. A travers leurs discours, ces journalists définissent leur perception des différences. Ce travail vise non seulement à comprendre comment les hiérarchies de genre se structurent dans le journalisme, mais aussi à analyser les différences existantes entre les femmes elles-mêmes, au moyen d’um échantillonnage composé de professionnelles mariées, célibataires ou divorcées, avec ou sans enfants et de différentes générations, qui travaillent dans la ville de São Paulo dans divers médias avec des conditions de travail distinctes.

Journalisme; Femmes; Travail; Occupation


Editoras, reporteras, encargadas de prensa y freelancers: diferencias entre las mujeres en el periodismo

El artículo analiza el proceso de feminización del periodismo, que ocurrió de forma articulada a los procesos de precarización, banalización, autonomización y profesionalización de la carrera. A partir de entrevistas con periodistas de São Paulo, el artículo examina los ejes de diferenciación que demarcan las localizaciones de las mujeres en la carrera, definen su percepción acerca de la diferencia e se expresan en sus discursos. Además de comprender cómo las jerarquías de género se estructuran en la profesión de periodista, el objetivo es analizar las diferencias entre las mujeres, por medio de una muestra formada por profesionales con y sin hijos, casadas, solteras, divorciadas, de distintas generaciones y que actúan en diversos tipos de medios y com distintos vínculos de empleo en la ciudad de São Paulo.

Periodismo; Mujeres; Trabajo; Ocupaciones




 

 


Palavras-chave


Jornalismo; Mulheres; Trabalho; Ocupações

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