Educação estética, cinema e alteridade

Ananda Vargas Hilgert, Rosa Maria Bueno Fischer

Resumo


Neste artigo discutimos as relações entre educação e alteridade, a partir de uma pesquisa com universitários estrangeiros, convidados a debater filmes brasileiros em situação de sala de aula. Com base em pensadores como Alain Badiou, Carlos Skliar e Julia Kristeva, descrevemos os modos pelos quais as narrativas mobilizaram os jovens, em torno da complexa questão do “olhar do estrangeiro” e da relevância desse tema para a educação. Tratamos das expectativas do aluno estrangeiro, diante de uma cultura distinta da sua, quando em contato com narrativas audiovisuais produzidas no Brasil. Nas conclusões, trazemos novas questões suscitadas pelo trabalho com os alunos, as quais focam o tema da formação ético-estética, implicada na experiência com o cinema e com a alteridade.

Palavras-chave: Cinema; Cultura; Ética; Educação Estética.


 

Aesthetic Education, cinema and otherness

Abstract

In this paper we discuss the relationships between education and otherness based on a survey carried out with foreign students invited to discuss Brazilian films in a classroom situation. Based on thinkers such as Alain Badiou, Carlos Skliar and Julia Kristeva, we describe the ways in which narratives mobilized young people around the complex issue of the “vision of the foreigner” and its relevance for education. We discuss the expectations of the foreign student regarding a culture different from theirs, when in contact with audiovisual narratives produced in Brazil. The conclusions bring new issues based on the work with the students, which focus on the theme of ethical and aesthetic education, raised by the experience with the film and with otherness.

Keywords: Cinema; Culture; Ethics; Aesthetic Education.


 Éducation esthétique, cinéma et altérité

 Résumé

Cet article aborde les rapports entre éducation et alterité à partir d´une recherche menée auprès d´étudiants étrangers invités à discuter des films brésiliens em salle de classe. Ayant recours à la pensée d Alain Badiou, Carlos Skliar et Julia Kristeva sont décrites les modalités selon lesquelles ces narratives mobilisent les jeunes sur la question complexe du “regard étranger” et la pertinence de ce sujet pour l´éducation. Sont examinées les attentes des étudiants étrangers, aux prises avec une culture qui n´est pas la leur, lorqu´íls sont confrontés à des narratives audiovisuelles produites au Brésil. Em conclusion le travail avec les étudiants permet d´avancer des nouvelles questions concernant la formation éthique et esthétique qu´apporte une expérience avec le cinema et l´alterité.

Mots clès: Cinéma; Culture; Ethique; Éduc Ation Esthétique.

 

Educación estética, cine y alteridad

Resumen

En este artículo se analiza la relación entre la educación y la alteridad, a partir de una investigación realizada con estudiantes extranjeros, invitados a debatir películas brasileñas dentro de las clases. Sobre la base de pensadores como Alain Badiou, Carlos Skliar y Julia Kristeva, se describen las formas en que las narrativas movilizaron a los jóvenes alrededor del complejo tema de “la mirada del extranjero” y la importancia de este tema para la educación. Nos ocupamos de las expectativas de los alumnos extranjeros frente a una cultura distinta dela propia, al entrar en contacto con las narrativas audiovisuales producidas en Brasil. En las conclusiones se ofrecen nuevas cuestiones planteadas por el trabajo con los alumnos, que se centran en el tema de la formación ético-estética, implicada en la experiencia con el cine y con la alteridad.

Palabras-clave: Cine; Cultura; Etica; Educación estética.



Palavras-chave


Cinema; Cultura; Ética; Educação Estética.

Texto completo:

PDF

Referências


BADIOU, Alain. El cine como experimentación filosófica. In: YOEL, Gerardo (Comp.). Pensar el cine 1. Imagen, ética y filosofia. Buenos Aires: Manantial, 2004. p. 23-81.

BADIOU, Alain. Os falsos movimentos do cinema. In: BADIOU, Alain. Pequeno manual de inestética. São Paulo: Estação Liberdade, 2002. p. 103-115.

CARANDIRU. Direção; Produção: Héctor Babenco. São Paulo: Columbia Pictures do Brasil; HB Filmes, 2003.

CIDADE de Deus. Direção: Fernando Meirelles. Produção: Andrea Barata Ribeiro e Maurício Andrade Ramos. Rio de Janeiro: O2 Filmes e Globo Filmes, 2002.

DIDI-HUBERMAN, Georges. O que vemos, o que nos olha. São Paulo: 34, 2010.

DURVAL Discos. Direção: Anna Muylaert. Produção: Sara Silveira. São Paulo: Europa Filmes, 2002.

HELENO. Direção: José Henrique Fonseca. Produção: Eduardo Pop e Rodrigo Teixeira. Rio de Janeiro: Goritzia Filmes, 2012.

KRISTEVA, Julia. Estrangeiros para nós mesmos. Rio de Janeiro: Rocco, 1994.

LISPECTOR, Clarice. Para não esquecer. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

MARCELLO, Fabiana de Amorim. Criança e imagem no olhar sem corpo do cinema. 2008. 237 f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2008.

O CASAMENTO de Romeu e Julieta. Direção: Bruno Barreto. Produção: Paula Barreto. Califórnia: Miravista, 2005.

O HOMEM que copiava. Direção: Jorge Furtado. Produção: Nora Goulart e Luciana Tomasi. Porto Alegre: Casa de Cinema de Porto Alegre, 2003.

O INVASOR. Direção: Beto Brant. Produção: Bianca Villar e Renato Ciasca. São Paulo: Drama Filmes, 2002.

SKLIAR, Carlos. Pedagogia (improvável) da diferença: e se o outro não estivesse aí? Rio de Janeiro: DP&A, 2003.

SKLIAR, Carlos. Hablar con desconocidos. Barcelona: Candaya, 2014.

TROPA de elite. Direção: José Padilha. Produção: José Padilha e Marcos Prado. Rio de Janeiro: Zazen Produções, 2007.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.