Percorrendo labirintos: trajetórias e desafios de estudantes de engenharias e licenciaturas

Lindamir Salete Casagrande, Ângela Maria Freire de Lima e Souza

Resumo


O objetivo deste artigo é analisar trajetórias de estudantes de engenharias e licenciaturas na Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR – e na Universidade Federal da Bahia – UFBA –, considerando possíveis fatores relacionados ao gênero que impactem nesses percursos. A pesquisa foi realizada em duas etapas, sendo a primeira quantitativa e a segunda, na qual foi baseado este artigo, qualitativa, em que foram entrevistadas/os estudantes de Engenharia Mecânica e Civil e Licenciatura em Letras e Matemática das duas universidades. Com o estudo percebeu-se que há diferença nas trajetórias e desafios enfrentados por homens e mulheres que ousam adentrar em universos acadêmicos socialmente percebidos como reduto do sexo oposto. Mulheres na engenharia e homens nas licenciaturas são os mais expostos a preconceitos e discriminações.

  

Traversing mazes: path and challenges of engineering and teaching degree students

This article analyzes the paths of engineering and teaching degree students at the Federal Technological University of Paraná – UTFPR – and at the Federal University of Bahia – UFBA – considering possible factors related to gender that impact these paths. The study was conducted in two stages, the first was quantitative and the second, in which this article was based, qualitative. Mechanical and civil engineering students as well as language and mathematics teaching students from the two universities were interviewed. The study showed that there are differences in the paths and challenges faced by men and women who dare to enter into academic environments socially perceived as the stronghold of the opposite sex.Women in engineering degrees and men in teaching degrees are the most exposed to prejudice and discrimination.

Engineering; Degrees; Men; Women

  

Parcourir des labyrinthes: trajectoires et défis des étudiants en ingénierie et licences

Cet article analyse des trajectoires d’étudiants en ingénierie et en licences d’enseignement à l’Universidade Federal do Paraná – UTFPR – et à l’Universidade Federal da Bahia – UFBA –, tenant compte des facteurs possiblement associés au genre qui ont de l´impact sur ces parcours. La recherche a été réalisée en deux étapes: la première, de nature quantitative, et la seconde, source de cet article, de nature qualitative, ou ont été interrogés des étudiants des cours d’Ingénierie Mécanique et Civile et de licence d’enseignement en Lettres et en Mathématiques des deux établissements ont été interrogés. L´étude montre des différences dans les trajectoires et défis rencontrés par les hommes et femmes qui osent acceder à des univers académiques socialement perçus comme des bastions du sexe opposé. Les femmes en ingénierie et hommes en licence d’enseignement sont souvent exposés à des préjugés et des discriminations.

Ingénierie; Licence; Hommes; Femmes

 

Recorriendo laberintos: trayectorias y desafíos de estudiantes de ingenierías y licenciaturas

 El objetivo de este artículo es analizar trayectorias de estudiantes de ingenierías y licenciaturas en la Universidade Tecnológica Federal do Paraná –UTFPR– y en la Universidade Federal da Bahia –UFBA–, considerando posibles factores relacionados al género que impacten en estos recorridos. La investigación se llevó a cabo en dos etapas, siendo la primera cuantitativa y la segunda, en la que se basó este artículo, cualitativa; en ambas se entrevistaron estudiantes de Ingeniería Mecánica y Civil y de Licenciatura en Letras y Matemáticas de las dos universidades. Por medio del estudio es posible darse cuenta que hay diferencia en las trayectorias y desafíos enfrentados por hombres y mujeres que osan ingresar en universos académicos socialmente percibidos como reductos del sexo opuesto. Mujeres en ingeniería y hombres en licenciaturas son los más expuestos a prejuicios y discriminaciones.

Ingeniería; Licenciatura; Hombre; Mujeres


Palavras-chave


Engenharia; Licenciatura; Homens; Mulheres

Texto completo:

PDF

Referências


BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.

CABRAL, Carla Giovana. Pelas telas, pela janela: o conhecimento dialogicamente situado. Cadernos Pagu, Campinas, n. 27, p. 63-97, 2006.

CABRAL, Carla Giovana; BAZZO, Walter Antonio. As mulheres nas escolas de engenharia brasileiras: história, educação e futuro. Revista de Ensino de Engenharia, v. 24, n. 1, p. 3-9, 2005.

CARVALHO, Marilia Gomes de. É possível transformar a minoria em eqüidade? In: RISTOF, Dilvo et al. (Org.). SIMPÓSIO GÊNERO INDICADORES DA EDUCAÇÃO SUPERIOR BRASILEIRA, 6 e 7 de dezembro de 2007. Brasília, Anais... Brasília: Inep, 2008. v. 1, p. 109-138.

CARVALHO, Marilia Gomes de; CASAGRANDE, Lindamir S. Mulheres e ciências: desafios e conquistas. Interthesis, Florianópolis, v. 8, p. 20-35, 2011.

CARVALHO, Marilia Pinto de. No coração da sala de aula: gênero e trabalho docente nas séries iniciais. São Paulo: Xamã, 1999.

CASAGRANDE, Lindamir Salete; LIMA E SOUZA, Ângela Maria Freire de. Violência simbólica de gênero em duas universidades brasileiras. In: WANZINACK, Clóvis; SIGNORELLI, Marcos Claudio (Org.). Violência, gênero e diversidade: desafios para a educação e o desenvolvimento. Rio de Janeiro: Autografia, 2015. p. 79-108.

CASAGRANDE, Lindamir Salete; SCHWARTZ, Juliana; CARVALHO, Marilia Gomes de; LESZCZYNSKI, Sonia Ana. Mulher e ciência: pioneiras em ciência da natureza. Cadernos de Gênero e Tecnologia, Curitiba, ano 1, n. 1, p. 3-14, 2004.

CASAGRANDE, Lindamir Salete; TORTATO, Cintia de Souza Batista; CARVALHO, Marilia Gomes de. Bullying: quando a brincadeira vira violência. In: CASAGRANDE, Lindamir Salete; LUZ, Nanci Stancki da; CARVALHO, Marilia Gomes de (Org.). Igualdade na diversidade: enfrentando o sexismo e a homofobia. Curitiba: Editora da UTFPR, 2011. p. 209-242.

CASAGRANDE, Lindamir Salete. Entre silenciamentos e invisibilidades: relações de gênero no cotidiano das aulas de matemática. 2011. 261 f. Tese (Doutorado em Tecnologia) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2011.

DIAS, Acácia Batista; AQUINO, Estela M. L. Maternidade e paternidade na adolescência: algumas constatações em três cidades do Brasil. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 22, n. 7, p. 1447-1458, 2006.

FARIAS, Benedito Guilherme Falcão de. Gênero no mercado de trabalho: mulheres engenheiras. 2007. 102 f. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2007.

FINE, Cordelia. Delusions of gender: how our minds, society, and neurosexism create difference. New York: W.W. Norton, 2010.

FLOR, Gisele. As revistas femininas e o imaginário do corpo perfeito. Revista CoMtempo, São Paulo, v. 2, ano 2, dez. 2010. Disponível em: http://www.revistas.univerciencia.org/index.php/

comtempo/article/viewFile/7493/6914>. Acesso em: 2 jun. 2016.

KIRA, Luci Frare. A evasão no ensino superior: o caso do curso de pedagogia da Universidade Estadual de Maringá (1992-1996). 1998. 106 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Metodista de Piracicaba, Piracicaba, 1998.

LIMA E SOUZA, Ângela Maria Freire de. Sobre gênero e ciência: tensões, avanços, desafios. In: LIMA E SOUZA, Ângela Maria Freire de; BONETTI, Alinne. Gênero, mulheres e feminismos. Salvador: Edufba, 2011. p. 15-28 (Bahianas).

LIMA, Betina Stefanello. O labirinto de cristal: as trajetórias das cientistas na física. Revista de Estudos Feministas, Florianópolis, v. 21, n. 3, p. 883-903 set./dez. 2013.

LOMBARDI, Maria Rosa. Engenheira & gerente: desafios enfrentados por mulheres em posições de comando na área tecnológica. Revista Tecnologia e Sociedade, Curitiba, n. 3, p. 63-86, 2006a.

LOMBARDI, Maria Rosa. Engenheiras brasileiras: inserção e limites de gênero no campo profissional. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 36, n. 127, p. 173-202, 2006b.

MACÊDO, Orlando Júnior Viana; ALBERTO, Maria de Fátima Pereira; ARAUJO, Anísio José da Silva. Formação profissional e futuro: expectativas dos adolescentes aprendizes. Estudos de Psicologia, Campinas, v. 29, p. 779-787, 2012. Suplemento.

MAFFIA, Diana. Crítica feminista à ciência. In: COSTA, Ana Alice A.; SARDENBERG, Cecilia Maria B. (Org.). Feminismo, ciência e tecnologia. Salvador: UFBA/FFCH, 2002.

MELO, Hildete Pereira de; LASTRES, Helena M. M. Ciência e tecnologia numa perspectiva de gênero: o caso do CNPq. In: SANTOS, Lucy. W. et al. (Org.). Ciência, tecnologia e gênero: desvelando o feminino na construção do conhecimento. Londrina: Iapar, 2006.

MENEZES, Marcia Barbosa; LIMA E SOUZA, Ângela Maria Freire de. Escolhas marcadas pelo gênero – sobre o ingresso de jovens mulheres e homens nos cursos de graduação da área de exatas na UFBA. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL ENLAÇANDO SEXUALIDADES, 3., 2013, Salvador. Anais... Salvador: Uneb, 2013. Disponível em: . Acesso em: 11 maio 2016.

SABOYA, Livia. Filhos não impedem que as mulheres tenham uma carreira. São os maridos. No Pátio, 19 nov. 2015. Disponível em: . Acesso em: 20 out. 2015.

SCHIEBINGER, Londa. Expandindo o kit de ferramentas agnotológicas: métodos de análise de sexo e gênero. Revista Feminismos, Salvador, v. 2, n. 3, p. 85-102, set./dez. 2014.

SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 71-99, jul./dez. 1995.

SEDEÑO, Eulalia Pérez. Retóricas sexo/género. In: SEDEÑO, Eulalia Pérez; CORTIJO, Paloma Alcalá (Coord.). Ciencia y género. Madrid: Complutense, 2001. p. 417-434 (Philosophia Complutensia, 15).

SOBREIRA, Josimeire de Lima. Estudantes de engenharia da UTFPR: uma abordagem de gênero. Curitiba. 2006. 117 f. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2006.

VELHO, Lea. Apresentação. In: SANTOS, Lucy Woellner dos; ICHIKAWA, Elisa Yoshie; CARGANO, Doralice de Fátima. Ciência, tecnologia e gênero: desvelando o feminino na construção do conhecimento. Londrina: Iapar, 2006. p. 9-18.

VELHO, Lea; LEÓN, Elena. A construção social da produção científica por mulheres. Cadernos Pagu, Campinas, n. 10, p. 309-344, 1998.

WALKERDINE, Valerie. O raciocínio em tempos pós-modernos. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 207-226, jul./dez. 1995.

YANNOULAS, Silvia. Feminização ou feminilização? Apontamentos em torno de uma categoria. Temporalis, Brasília, DF, ano 11, n. 22, p. 271-292, jul./dez. 2011.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.