Os alunos e o ensino na República Velha através das memórias de velhos professores.

Zeila de Brito Fabri Demartini, Sueli Cotrim Tenca, Álvaro Tenca

Resumo


O artigo baseia-se na pesquisa realizada com professores que lecionaram em escolas de zona rural no Estado de São Paulo, antes de 1930. Através das memórias desses mestres procurou-se obter informações sobre como eram tratados problemas referentes a matrícula, freqüência, rendimento escolar dos alunos e atividade docente. O objetivo foi contribuir, através de uma perspectiva histórica, para o aprofundamento da problemática atual do ensino no Brasil, no que se refere à escolarização das camadas populares. Os depoimentos dos professores de escolas localizadas em propriedades rurais e em vilas, distritos ou povoados evidenciam aspectos que, em alguns casos, contradizem idéias estabelecidas sobre o tema. Os dados reforçam a tese de que: 1) as populações rurais, já naquela época, procuravam e valorizavam a escola; 2) problemas de freqüência escolar estão historicamente associados às condições de trabalho das camadas subalternas; 3) mesmo trabalhando isolados, os professores conseguiam bons resultados no que se refere ao aproveitamento dos alunos. As histórias de vida possibilitaram, ainda, estabelecer correlações significativas entre: a dedicação dos professores aos alunos; o sistema de avaliação do rendimento escolar que não era realizado pelo próprio professor; e a carreira do magistério que dependia do sucesso do seu trabalho. Além disso, pode-se compreender melhor a presença do Estado que, sem mecanismos de ação direta, ainda assim exercia um efetivo controle sobre as atividades

Palavras-chave


Memória; Rendimento escolar; Zona rural; Freqüência; Matrícula

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