Existe diferença de qualidade entre as modalidades presencial e a distância?

Autores

Palavras-chave:

Educação Superior, Qualidade do Ensino, Ensino a Distância, Desigualdade Social

Resumo

Nos últimos anos, a expansão da educação superior brasileira tem se baseado na modalidade a distância, especialmente em instituições privadas com fins de lucro. Como estudantes de educação a distância (EaD) pertencem, em geral, a grupos de menor nível socioeconômico, analisar essa modalidade é fundamental para avaliar a equidade do sistema. Assim, neste artigo, utilizando a base de dados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), buscou-se verificar se existem diferenças de desempenho entre as modalidades presencial e a distância. Por meio de dedução lógica entre teoria de eficácia escolar e comparações sobre médias do Enade, procurou-se demonstrar que cursos presenciais tendem a propiciar melhores condições de aprendizagem. Em um contexto de acesso e perfil desigual, é possível deduzir que a expansão da EaD está reforçando a iniquidade do sistema.

Biografia do Autor

Julio Cesar Godoy Bertolin, Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo (RS), Brasil

Possui doutorado em Educação e mestrado em Ciência da Computação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Realizou estágio de doutoramento na Universidade de Aveiro - Portugal e Pós-doutorado no Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior (CIPES), em Porto, Portugal. Atualmente é professor titular e pesquisador da Universidade de Passo Fundo (UPF). Fez parte da Comissão Especial de Avaliação (CEA) do Ministério da Educação (MEC) que elaborou o SINAES. Atuou como consultor da UNESCO, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do MEC no desenvolvimento de sistemas de avaliação da educação superior. Tem experiência em pesquisas, planejamento e avaliação na educação superior.

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Publicado

28-05-2021

Edição

Seção

Educação Superior, Profissões, Trabalho